Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Alphonso Guimarães Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alphonso Guimarães Filho. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de maio de 2018

SONETOS DA AUSÊNCIA


Pintura de Romeo Zanchett 

SONETOS DA AUSÊNCIA 
.
Não te desejo mais pela amargura,
Nem pelas alegrias inconstantes;
Quero beijar nas tuas mãos distantes
O amor que me alivia a transfigura.
.
Quero, sonhando a adolescência pura
no teu corpo febril, das mãos amantes, 
colher nos ventos tudo quanto dantes
ambicionara em sedes de loucura. 
.
Quero o teu riso, o teu silêncio, a graça
do teu vestido ao vento, o andar sereno
de ave marinha pelas madrugadas. 
.
Quero colher em ti o que não passa
e pulsa em mim como o teu leve aceno
na distância impossível das estradas.
.
Soneto - 2 
O doce amor. As doces mãos da amada. 
Seu corpo branco como a luz macia
e a matinal pureza. E a graça e a fria
carícia irmã da leve madrugada. 
.
A rua humilde. A paz desta pousada. 
A trepadeira, o alpendre... E, todo dia, 
os risos das crianças, a alegria 
descendo, clara, sobre a minha estrada.
.
Depois, a noite os sonhos dominando, 
Vozes veladas... Confissões e medo...
Gestos de quem parou na despedida
.
e há de ficar, por seu pesar, chorando. 
vivendo o adeus que é como o seu segredo, 
o adeus que encerra em si a própria vida. 
.