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quarta-feira, 23 de maio de 2018
segunda-feira, 21 de maio de 2018
domingo, 20 de maio de 2018
sábado, 19 de maio de 2018
LONGE DE VISTA - Alves Júnior
Escultura de Romeo
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LONGE DE VISTA
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Para dar um consolo, um lenitivo
a esta saudade que me traz pensando,
a distância em que vives e em que vivo
eu costumo vencer, de quando em quando.
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Vou visitar-te. E volto, pensativo,
pensando mais em ti e mais te amando,
e inutilmente busco, em vão, motivo
para a dor desta ausência ir abrandando.
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Sempre que volto, meu amor, eu vejo
que é cada vez maior este desejo
de ter-te sempre junto a mim... E em vão
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busco ocultar a dor que me contrista:
- quanto mais longe estás de minha vista
mais perto ficas do meu coração!
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DUAS ALMAS - de Alceu Wamosy
Escultura de Romeo
DUAS ALMAS
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Oh tu, que vens de longe, oh tu, que vens cansada,
entra, e sob o meu teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre e nunca foste amada...
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A neve anda a branquear lividamente a estrada
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.
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E amanhã, quando a luz do sol dourar radiosa
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!
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Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
- Há de ficar comigo uma saudade tua...
- Hás de levar contigo uma saudade mina...
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Marcadores:
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Copacabana,
Duas almas,
Nicéas Romeo Zanchett,
Nossos sonhos de amor,
o amor é tudo.,
Olavo Bilac,
Rio de Janeiro
SONETOS DO AMANTE
SONETOS DO AMANTE
Eternizar o amor que fora eterno
embora só vivesse dois instantes:
um quando ao céu me alçou - a um céu sem antes;
depois, ao acender em mim o inferno;
banida do presente, em lago terno
voltes a me banhar e desencantes
o mar que clama em vão, de ondas cortantes
partindo no meu ser, banhando o eterno.
Eternizar o amor de um só momento
e quanto mais perdê-lo, mais ganhá-lo.
E quanto mais ganhá-lo mais alento
trazer no que recordo e no que falo,
para que possa, em febre e em eternizá-lo.
SONETOS DA AUSÊNCIA
Pintura de Romeo Zanchett
SONETOS DA AUSÊNCIA
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Não te desejo mais pela amargura,
Nem pelas alegrias inconstantes;
Quero beijar nas tuas mãos distantes
O amor que me alivia a transfigura.
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Quero, sonhando a adolescência pura
no teu corpo febril, das mãos amantes,
colher nos ventos tudo quanto dantes
ambicionara em sedes de loucura.
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Quero o teu riso, o teu silêncio, a graça
do teu vestido ao vento, o andar sereno
de ave marinha pelas madrugadas.
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Quero colher em ti o que não passa
e pulsa em mim como o teu leve aceno
na distância impossível das estradas.
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Soneto - 2
O doce amor. As doces mãos da amada.
Seu corpo branco como a luz macia
e a matinal pureza. E a graça e a fria
carícia irmã da leve madrugada.
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A rua humilde. A paz desta pousada.
A trepadeira, o alpendre... E, todo dia,
os risos das crianças, a alegria
descendo, clara, sobre a minha estrada.
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Depois, a noite os sonhos dominando,
Vozes veladas... Confissões e medo...
Gestos de quem parou na despedida
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e há de ficar, por seu pesar, chorando.
vivendo o adeus que é como o seu segredo,
o adeus que encerra em si a própria vida.
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DELÍRIO - de Olavo Bilac.
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia
E em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais em baixo, meu bem, quero o seu beijo!
Na inconsequência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia.
E os seus seios tão rígidos, mordia,
Fazendo-a arrepiar em meu doce arpejo.
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Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais em baixo, meu bem! num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
Mais em baixo, meu bem! disse ela, louca,
Mais em baixo, meu bem! disse ela, louca,
Moralistas, perdoais! Obedeci...
APAIXONADO POR VOCÊ
Pintura de Romeo Zanchett
ENAMORADAMENTE
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Ame, mesmo que saiba, intimamente,
que todo o amor é uma ilusão que passa.
O sonho é vinho que embriaga a gente
e faz mais doce o espinho da desgraça!
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A vida é sempre a embriaguez da hora presente.
Faça de cada boca a sua taça!
Que importa após: o tédio, a dor, o poente,
se tudo acaba, é menos que fumaça?
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Nunca aprofunde a sem-razão das coisas,
para manter mais límpida a alegria,
pois a mentira está até nas lousas, .
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Viva como nasceu, de alma iludida!
Erga um canto de amor a cada dia
e um hino de beleza à própria vida!
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